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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

FICHAMENTO DE CITAÇÃO INDIRETA DO TEXTO A INSTRUMENTALIDADE DO SERVIÇO SOCIAL, GUERRA, YOLANDA. 2005



Guerra deixa, em sua apresentação da obra, evidente que os fundamentos da profissão do assistente social perpassam pela história da profissão até a prática do dia a dia. A prática é fundamental para a racionalização das ações do profissional. A instrumentalidade é, portanto, a prática da profissão com uma racionalidade baseada no conhecimento histórico que se tem do desenvolvimento do Serviço Social.
Ela diz que para compreender a prática do assistente social teve que adotar as referencia teóricas, procedimentais e intelecções e estes ultrapassam os limites que existem na profissão. Para sua abordagem do tema, o ser social (homem) teria que observado em sua realidade de existência e também  e tal abordagem ser pautado na aplicação diária  do assistente social.
Ela afirma que existe uma pressão advinda de um processo que é da própria profissão (uma vez que nasceu nas lutas de classes) e tem como recurso teórico as teorias marxianas e luckacsianas.
O racionalismo formal, que nega a tradição ontológica da filosofia, acaba por estabelecer moldes de explicação da sociedade e o profissional deve fazer uma critica racional a esses modelos e sua atuação optando por usas ou não tais moldes.
A autora expõe que, o mal que o capitalismo traz, faz com que repensemos essa pretensa razão objetiva de figurar a realidade.  Ela diz ainda que as recepções das teorias marxistas expõe a tendência  do capitalismo transformar o trabalho em ações repetitivas em detrimento da construção do ser social através do trabalho   (em sua interação com a natureza).
Diz ainda que a compreensão do Serviço Social e sua instrumentalidade devem sair dos moldes burguês e ser um devir entre a história constitutiva da profissão e sua prática.  Guerra afirma ainda que a profissão sofre pressões do desenvolvimento das forças produtivas do capitalismo burguês e que tais pressões devem ser postas em questionamento quanto a postura do profissional na atuação.
Na introdução, no primeiro ponto, ela ressalta que as produções bibliográficas têm poucas respostas para as questões que envolvem a intervenção profissional. E coloca sua abordagem como “nova”  no sentido de que há novas foças sócio-políticas, econômicas e culturais, no Brasil, que influenciam o andar da profissão (o que ficou conhecido como movimento de reconceituação). Ou como em suas palavras: “...novas perspectivas se apresentam à compreensão do significado sócio histórico da profissão (p.22)”.
Diz que como a profissão é eminentemente interventiva, desenvolve práticas que torna a profissão conhecida socialmente e que as tentativas de abordagem macroscópica transcendem a prática profissional.  Essa mudança geram críticas às elaborações teórico-metodológicas. Pode ocorrer também um saudosismo  pela identificação social da profissão fazendo dela engessada e conservadora. Nesse conflito o autor propõe uma iluminação no sentido de apontar tendências do desenvolvimento da profissão. Esclarece que o aprofundamento teórico-metodológico, em detrimento da prática profissional é ainda mais grave.
Afirma que há basicamente três tendências de ver a profissão: a) os que valorizam a prática e secundarizam as teorias; b) os que valorizam a teoria na aplicação da prática e c) os que reconhecem as teorias como processo de reconstrução da realidade. Entre essas três há um ponto em comum: a discussão sobre os limites das teorias em fornecer subsídios à prática.
A autora reconhece que há necessidade de criação de novos instrumentos da ação do profissional. Diz que não é refazer as antigas abordagens (individual grupo ou comunitário), mas de ter competência técnica para e intelectual sem romper o compromisso com a classe trabalhadora.
Coloca que argumenta em duas ordens de razão: 1- a que se refere às condições objetivas  onde esta a operacionalização de proposta passa pela existência de condições objetivas. Aqui existem as dificuldades que por si só dificultariam a ação do profissional. Assim essas condições não dependem apenas da postura individual, mas da conjuntura onde o profissional terá necessidade de reconhecer técnicas e táticas politicas de ação; 2- a proposta teórico-metodológica-marxiana: Aqui as teorias não oferecem os meios ou instrumentos profissionais de ação imediata sobre os fenômenos, apenas ilumina as estruturas dos processos sociais.
A pretensão da autora é mostrar que o atuar da profissão, mesmo com suas limitações, tenha uma modalidade de razão que se mantenha o foco voltado as finalidades e não apenas para as dificuldades.  Sobre esta perspectiva é possível revalidar o passado e, ao mesmo tempo, romper com o conservadorismo. Nessa linha ele rejeita o entendimento de que o avanço do conhecimento é responsável pelo divorcio entre a teoria e prática.
Já no segundo ponto da introdução ela, baseado em teorias marxistas sobre a história, diz que as relações sociais têm um núcleo fundante, inteligível que se manifesta de forma dinâmica. Nisso é possível apreendê-los nas suas manifestações dinâmicas.
A partir desse argumento o autor explica que o serviço Social é construído na fricção entre as condições objetivas e as ações teleológicas materializa-se em ações profissionais.
Ela afirma que há uma razão de ser e uma razão de conhecer o Serviço Social e que ambas são polos de uma mesma configuração.  Essa razão de conhecer ultrapassa os limites históricos. Diz, ainda, que as racionalidades que convivem (contraditoriamente) no interior da profissão expressam as relações entre os sujeitos e os fundamentos éticos e políticos e teóricos sobre os quais essas relações se apoiam.
Como a profissão tem caráter interventivo há nessa intervenção a capacidade de indicar as possibilidades da profissão, tanto no plano ontológico como no plano lógico. Nesta vemos os padrões de racionalidade que a sustentam. Naquela, vemos os aspectos constitutivos do modo de ser e de se desenvolver a profissão.
Guerra quer demonstrar que a dimensão instrumental é a mais desenvolvida da profissão capaz de indicar condições e possibilidades para a mesma.  Essa complexidade se dá pelo fato de que as demandas sociais exigem do profissional criação e recriação de categorias intelectivas e de modo de intervenção.
Ela afirma haver racionalidades subjacentes às formas de intervenção profissional que produzem regularidades, essas, por sua vez, trazem a tona particularidades que vinculam as práticas dos assistentes sociais.  As particularidades determinam e vinculam as práticas dos assistentes sociais. Ela explica que as ações dos profissionais produzem um modo de pensar  os diferentes níveis de apreensão do real. A autora faz entender que na medida em que os profissionais interagem nas objetividades sociais, eles interagem, também, com a dinâmica desses fenômenos que, por seu turno, refletem ao intelecto dos mesmos profissionais levando estes a atribuir novos significados as suas ações, ou como em suas palavras: “Na medida em que os agentes profissionais recolhem as mediações postas nas objetividades sociais que produzem no plano interativo, recriando, ao nível do pensamento, a dinâmica dos fenômenos e processos sobre os quais intervêm, estão inteligindo sobre suas ações “ (p.35).
Desse modo a atuação e reflexão da atuação no Serviço Social produzem várias racionalidades com níveis e graus distintos e podem adquirir maior ou menor importância dependendo do momento histórico da profissão.
Guerra coloca em questão a racionalidade formal imposta pelos moldes do capitalismo burguês e diz que o debate em pauta traz algumas implicações: 1) A reprodução do racionalismo formal nas sociedades burguesas; 2) a mediação equacionada da instrumentalidade para não desaparecer a dimensão ético-política; 3) A instrumentalidade do Serviço Social como campo de mediação nos quais os padrões de racionalidade as ações se processam; 4) Análise do caráter histórico das formas de racionalidade, para por em pauta de crítica os paradigmas existentes; 5) Se o “fazer” do assistente social é capaz de designar os processos que se manifestam no âmbito da profissão.
Por fim, ela diz que a instrumentalidade não é exclusiva ao paradigma da razão formalizadora. È para se pensar tanto as ações como as razões que a sustentam.
Referencia:
GUERRA, Yolanda. A Instrumentalidade do Serviço Social. São Paulo, Cortez, 2005.

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